Vale a pena dar à noite um passeio pelas ruas do Recife, contemplar as suas pontes, luzes a refletir-se no Capibaribe tranqüilo e vestido de cores, suas residências e seus edifícios, visitar suas praças, sejam as do centro da cidade, sejam as dos diversos bairros. .Vale a pena postar-se em uma esquina , no horário do comércio, e ver o movimento das pessoas, um ir e vir permanente, uma pressa, um corre-corre, pacotes sendo conduzidos, o conversar rápido, o apontar uma direção, o sair rapidamente o riso de um reencontro. Vale a pena ver a beleza de determinadas vitrines de lojas e shoppings Vale a pena, mesmo não sendo católico, visitar uma igreja e ver a decoração, o presépio armado com tanto amor e veneração. E sempre um sorriso, um abraço, um afago, uma manifestação do bem querer. Vale a pena ouvir os corais e seus cantos natalinos.
Bom seria se a maldade, a conduta reprovável, os excessos, a litigância e a malquerença ficassem um pouco escondidas para que houvesse a contemplação sem medo das luzes, da alegria, a anunciar alguma coisa muito grande e importante que está próximo a acontecer e que há milhares de anos já estava anunciado no maior livro de todos os tempos, a Bíblia. Lá está:
“no princípio era o Verbo e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por meio dele e, sem ele, coisa alguma foi feita. O Verbo estava no mundo e o mundo, por meio dele, foi feito, mas o mundo não o conheceu. E Verbo fez-se carne e habitou entre nós.” (Livro dos Livros).
Nove meses após a Anunciação aconteceu o Seu nascimento, “à margem da história oficial, fora da cidade, no meio da noite, numa manjedoura de animais.” . A data escolhida foi 25 de dezembro. É a verdadeira? Pouco importa. Há símbolos ligados a ela: uma estrela, uma criança envolvida em roupas simples, uma manjedoura, pastores em volta, animais. Ela é a Data Maior, do Evento Magno. Está escrito em Leitura I. Lucas, 2, 1-7:
“Todos iam alistar-se, cada um em sua própria cidade. José também subiu da Galiléia, da cidade de Nazaré, para a Judéia, a cidade de Davi, chamada Belém,por ser ele da casa e família de Davi, a fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. Estando eles ali aconteceu completarem-se os dias e ela deu à luz o seu filho, enfaixou-o e o deixou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.”
É bem verdade que o acontecimento histórico, que mudou o mundo em duas eras, antes e depois de Cristo foi “confiscado pelo comércio apelativo”.
Mas, com todas as distorções, do converter-se o tempo do Natal em um só dar presentes, o explorar-se a data comercialmente, o trocar a figura do Cristo de bondade e de amor ao próximo pelo simpático Papai Noel, o bom velhinho com bochechas e de barbas brancas, vestido de vermelho, um saco de brinquedo às costas, continua ele como a Data Maior da Cristandade.
Razão teve o nosso Gilberto Freyre ao fazer singelo protesto:
“Papai Noel vá embora,
vá para junto dos seus
em terras cheias de neve.
Natal aqui é de sol,
Reinando o Menino Deus.”
o Natal continua entre nós brasileiros como a chegada de JESUS, o instante maior de alegria e fraternidade, valendo como prova de irmandade o abraço dado ao rico ou ao pobre, ao negro ou ao branco, ao doutor ou ao não-doutor, ao alvi-rubro, ao rubro-negro, ao tricolor.
Recebam os irmãos em Cristo os votos de um FELIZ NATAL de paz. saúde, alegria, solidariedade e amor ao próximo.
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