Mais uma triste perda para a música, sobretudo em Pernambuco!
Morre o maestro Cussy de Almeida
Corpo será velado no Cemitério Morada da Paz, onde ocorre a cremação, às 18h
Da Redação do pe360graus.com
O maestro Cussy de Almeida (foto 1) morreu no Hospital Santa Joana na noite desta sexta-feira (23). Ele tinha 74 anos e estava internado na unidade havia 55 dias, por conta de um enfisema pulmonar.
O corpo do maestro será velado no Cemitério Morada da Paz, nesta manhã e a cremação ocorre às 18h, no local.
VIDA E OBRA
Cussy de Almeida era maestro e coordenador musical da Orquestra Criança Cidadã (foto 2). Há dez anos, levava para os 130 meninos do Coque uma experiência de quem foi nascido e criado em berço de músicos. Desde a sua infância, Cussy de Almeida era considerado um prodígio musical.
Com apenas cinco anos de idade, Cussy já aprendia a tocar, no Instituto de Música, no Rio Grande do Norte, fundado pelo seu pai, Waldemar Almeida, o instrumento que lhe acompanharia a vida inteira: o violino. Aos seis anos, realizou seu primeiro recital público, no Teatro Carlos Gomes, Rio de Janeiro.
Após se mudar com a família para o Recife, em 1950, Cussy estuda violino com o Maestro Vicente Fittipaldi e depois ingressa profissionalmente na Orquestra Sinfônica do Recife, sendo até hoje o mais jovem músico a integrá-lo. Cinco anos depois, obteve o primeiro prêmio no concurso para Jovens solistas da Orquestra.
Foi na Europa que o maestro Cussy aperfeiçoou sua carreira profissional. Frequentou escolas como o Conservatoire Superieur de Musique, com o mestre René Benedetti em Paris, por recomendação do compositor Heitor Villa-Lobos; o Superieur Conservatoire de Musique, em Genebra, onde recebeu o prêmio Albert Lulin; e também conquistou o prêmio de virtuosidade do Conservatório de Genebra.
Como solista no exterior, participou de cinco orquestras, dentre elas a Orchestre de Chambre de Biene, sob a regência de Arnmin Jordan e Charles Dutoit, mais importantes regentes suíços da atualidade; Orchestre de La Suisse Romande, participando de festivais em Montreux, Viena, Lausanne e Atenas, além de integrá-lo na gravação de toda a obra orquestral de Claude Debussy.
Na década de 60, Cussy participou do Concurso Internacional de Munique na Alemanha, obtendo a quarta colocação na categoria Música de Câmera.
Em retorno ao Brasil, ele ingressa como professor nas universidades federais do Rio Grande do Norte e da Paraíba. Uma das suas maiores contribuições para a música brasileira foi a Orquestra Armorial de Câmera de Pernambuco, que tem a missão de divulgar, em solo brasileiro, através de mais de 600 apresentações de cinco discos gravados, o trabalho de um grupo de compositores, entre eles o próprio Cussy. Com este projeto, a música nordestina incentivou a criação de novos grupos, fazendo-se respeitar.
Em 1974, Cussy de Almeira adquiriu o primeiro violino Stradivarius, que veio ao Brasil, realizando concertos como solista das principais orquestras sinfônicas brasileiras. Foi considerado por maestros como Camargo Guarnieri, Guerra Peixe, Eleazar de Carvalho e Isaac Karabtchevski, o melhor violinista brasileiro.
Por duas vezes, em 1975 e 1976, Cussy recebeu, da Associação Brasileira dos Produtores Fonográficos, o Prêmio Villa-Lobos; foi diretor do Instituto Nacional de Música da Funarte, criando ali vários projetos de apoio à música brasileira, como a instalação, na comunidade Alto do Céu, em Beberibe (Recife), um curso de música para crianças em situação de risco (Escola Waldemar Almeida).
Além disso, foi presidente da Fundação de Cultura da Cidade do Recife e do Conservatório Pernambucano de Música, e responsável por grande incentivo à cultura pernambucana.
Ao longo desses anos, recebeu várias homenagens, entre as quais a Medalha Pernambucana do Mérito, Medalha do Mérito da Cidade do Recife, Grande Oficial da Ordem do Capibaribe e é cidadão do Recife, título concedido pela Câmara Municipal em 1994.
Em 2003, maestro Cussy de Almeida criou sua terceira orquestra, o Grupo Orange, que mescla instrumentos eruditos como violino, violoncelos, violas e flautas a instrumentos populares como rabeca, violas de 10 e 12 cordas , pífanos, zabumbas, berimbaus, violões, bandolins e outros.
Essa feliz associação resultou em uma música de concerto, de origem popular e definida, através de formas e estilos enriquecidos por uma brasileiríssima sonoridade, forte, clara, colorida e bela.
* Informações do site da Orquestra Criança Cidadã






