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Renato L assume Secretaria de Cultura do Recife

(17/12/2008 – Jornal do Commercio – Por Fabiana Moraes e José Teles)

Jornalista, que assume lugar de João Roberto Peixe, diz que não vai fazer gestão paternalista

Sim, o futuro secretário de cultura do Recife, o jornalista Renato Lins – ou simplesmente Renato L –, vai aposentar o boné. O acessório, que acompanha o rapaz há décadas, pode não casar muito bem com o obrigatório terno que o futuro gestor público irá envergar. “Vou precisar de ajuda do terapeuta”, brinca ele sobre a difícil separação. O convite para participar do governo João da Costa aconteceu no sábado (13): Renato estava em casa, em Candeias, quando recebeu o telefonema de João Roberto Peixe, atual secretário de cultura. “Para mim foi uma surpresa. Não sou filiado a nenhum partido, apesar de votar no PT desde 1989. Peixe pediu que eu desse continuidade ao trabalho que ele tem feito na secretaria”, diz. A tal continuidade, no entanto, não significa, segundo o futuro secretário, um engessamento do modelo atual de gestão. Há, reconhece ele, pontos que precisam ser analisados. “Vou aperfeiçoar o Multicultural onde ele deve ser melhorado, ampliar o acesso da população do Recife aos bens culturais. Vou mudar o que julgar necessário”, diz ele, que elogia o comando do designer João Roberto Peixe: “Me sentia representado com ele na prefeitura”.

Renato, 43 anos, admite que sua pouca proximidade em relação à máquina pública – sua experiência maior nesse setor é sua participação, durante cinco anos, no Conselho Municipal de Cultura – assusta, mas não intimida. “Coloquei isso quando fui convidado, falei que não tinha essa experiência. Mas quem não enfrenta desafio não faz nada. Vou driblar isso me cercando de uma equipe eficiente, de pessoas que sejam hábeis em suas áreas”. Um dos mentores do movimento mangue (onde era “ministro da informação”), o futuro secretário também já realizou o projeto Acorda Povo, onde levou oficinas de moda, música, reciclagem e grafite para as periferias da cidade, que também conferiam shows das bandas Nação Zumbi e Devotos.

Enquanto a própria classe artística ainda está bastante surpresa com a indicação (veja arte ao lado), Renato vai tentando deixar a ficha cair. “Foi tudo muito rápido. Acho que a indicação deve-se à minha ligação com o manguebeat, pois pensaram também em Fred Zeroquatro, que não aceitou por causa da banda”. Seu único contato com João da Costa, que assume a prefeitura do Recife no próximo dia 1º de janeiro, aconteceu durante a divulgação do novo secretariado, na segunda (15). O jornalista se reuniu com Peixe, mas mal teve contato com o organograma da pasta. Os nomes para assumir equipamentos como museus, teatros e fundações municipais também ainda não foram pensados, apesar de Renato adiantar que o ator e coordenador do Carnaval da cidade, André Brasileiro, permanece na sua função. “Não faz sentido mudar agora um processo que já foi iniciado e que vem dando certo. Vamos avaliar qualquer mudança só após o fim do próximo Carnaval”. Quanto ao comando de locais como o Museu de Arte Moderna Aluísio Magalhães (Mamam), atualmente sem um gestor após saída de Cristiana Tejo, ele é cuidadoso: “É preciso avaliar a gestão e os problemas de cada um deles para ver o que que ser mantido ou substituído”.

SEM ELITISMO

Apesar da maior proximidade com a esfera da música, Renato Lins afirma que áreas como artes visuais, cênicas, literatura e audiovisual terão visibilidade em sua gestão. “Não vou ser secretário apenas de uma área. Estou tranqüilo e as pessoas também podem ficar. Peixe é designer e não contemplou apenas esta área”, comenta.

Apesar de, claro, não ter ainda nenhum projeto definido para o futuro, o jornalista afirma que não vai adotar um postura paternalista ou elitista em relação a escolha dos produtos culturais oferecidos na cidade (principalmente na questão dos shows, ponto forte do Carnaval e do São João). O fenômeno do brega, tão forte na cidade, é um dos assuntos que ele quer incorporar ao Programa Multicultural. Falando sobre shows e público popular, ele é enfático sobre a polêmica levantada com a apresentação de Sandy e Júnior na cidade em 2004 (o show, definido pelo prefeito João Paulo como “um presente” para a cidade, custou R$ 480 mil e foi bastante criticado). “Achei um equívoco. A intenção foi boa, mas cabe ao poder público levar para um local como o Marco Zero artistas que não circulam tanto na grande mídia. Eu também acharia equivocado levar a Nação Zumbi se a banda vendesse milhões.”

http://jc.uol.com.br/jornal/2008/12/17/not_311790.php