Começando o trabalho literalmente do zero. Foi assim que em 2002 a jornalista Paula Lourenço aceitou o desafio de comandar o recém-criado departamento de assessoria de comunicação do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães (CPqAM), unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Pernambuco. Como todo início de trabalho, esse também foi duro e de muita luta para obter o reconhecimento da imprensa e principalmente dos pesquisadores da casa, que não tinham consciência da importância da divulgação de suas pesquisas para o grande público, que afinal de contas, mesmo que indiretamente, é o financiador dessas pesquisas, através do pagamento dos impostos. A jornalista contou sua experiência aos alunos do 7º período de Jornalismo da Aeso em palestra no dia 18 de fevereiro.
No CPqAM, foram traçadas várias estratégias visando mostrar a importância do trabalho da assessoria. A principal aconteceu em maio de 2003, que foi o Workshop de Divulgação Científica, que contou com o apoio da Fundação de Amparo à Ciência de Pernambuco (Facepe), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Universidade de Pernambuco (UPE). Esse evento abriu os olhos de todos para a clara necessidade de mostrar os trabalhos da Fiocruz para o grande público.
Outros serviços que ajudaram a dar uma nova cara à instituição foram: a criação de mídias de divulgação tanto externa quanto interna, que foi a Aggeu Informa (online, rádio e mural), a Revista de Manguinhos, e a reedição do informe CpqAM; confecção de material de divulgação (chaveiros, adesivos e etc); maior interação de pesquisadores com os jornalistas; release para imprensa local e nacional; reformulação do site www.cpqam.fiocruz.br; entre outros.
Também foram produzidos um catálogo institucional (em inglês e português); um vídeo institucional (em inglês, espanhol e português); um tablóide institucional que saiu no Jornal do Commercio e uma exposição fotográfica sobre a Fiocruz.
A maior dificuldade de um leigo que queira se inteirar dos resultados de qualquer pesquisa científica é a linguagem, que é extremamente técnica. Esse foi um dos principais problemas encontrados na hora das entrevistas, por isso a assessoria instruiu os pesquisadores a utilizarem uma liguagem mais popular para explicar seus trabalhos à imprensa, o que nem sempre é bem aceito por eles, mas facilita o resultado final da reportagem. “É extremamente desagradável quando um pesquisador, ou entrevistado em geral, pede para ler o texto do repórter antes de o mesmo ser publicado, isso pode causa um mal-estar desnecessário, por isso eu instruo os pesquisadores a nunca pedir”, comentou Paula, sobre os desgastes que podem acontecer na relação entrevistado/imprensa.
Graças ao bom trabalho à frente da assessoria da unidade da Fiocruz em Pernambuco, Paula Lourenço – que também atuou no Ministério da Saúde na Folha de Pernambuco, e no Jornal do Commercio – foi convidada a trabalhar na sede da Fiocruz no Rio de Janeiro e despediu-se neste mês de março do Recife.
(Edição e supervisão: professora Fabiane Cavalcanti)
