Archive for setembro, 2009

Correspondente da Reuters diz que é preciso cuidado com propaganda na guerra

Izabela Vasconcelos, de São Paulo

O correspondente da Reuters no Oriente Médio, Dan Williams, afirmou que é preciso tomar cuidado com a propaganda na guerra, para não transmitir conceitos parciais durante a cobertura de um conflito. Williams participou de palestra nesta sexta-feira (25/09), em São Paulo.

O correspondente diz que as pessoas procuram os jornalistas e são abertas para falar, mas há que tomar certos cuidados. “As pessoas falam, querem passar informações. Muito dessas informações é propaganda, existe muita propaganda na guerra, mas é preciso saber separar a informação”.

“Guerra de cinco estrelas”
O correspondente classificou a cobertura atual com uma “guerra de cinco estrelas”. “Como a região é muito pequena, você consegue andar por vários lugares, entrevistar várias pessoas e depois voltar para o seu hotel. É diferente ao que eu via na televisão quando adolescente”, compara.

Para Williams, cobrir o Oriente Médio é uma responsabilidade que influencia diretamente a população local. “O Oriente Médio é uma parte do mundo que vai continuar nas manchetes. E o povo de lá se vê como o mundo os mostra, como a mídia os mostra”, relata.

Cobertura desproporcional
Williams também comentou que a cobertura da imprensa sobre o estado de Israel é desproporcional e que a imagem que as pessoas têm dos jornalistas que participam da cobertura não coincide totalmente com a condição real desses profissionais.

“Veja o tamanho do Brasil, e quantos correspondentes existem por aqui? Israel é uma região muito pequena, com correspondentes de todo lugar. Existe a questão do petróleo, da religião, da guerra, isso chama a atenção da mídia. Mas acabam perpetuando uma visão desproporcional da região”.

O jornalista veio ao Brasil para realizar uma série de palestras, com o apoio da Reuters e do Comunique-se. Essa semana, o correspondente participou de debates na Puc-Rio, UFRJ e Unicsul.

Williams trabalha há 11 anos em Israel. A serviço da Reuters, o jornalista já realizou coberturas especiais no Egito, Jordânia, Índia e Turquia. O correspondente mantém um blog no site da Reuters que pode ser acessado no endereçohttp://blogs.reuters.com/dan-williams.

‘Copia e cola’ de releases pode gerar processo por dano moral

Izabela Vasconcelos, de São Paulo

“Copia e cola” de releases é algo conhecido pelos jornalistas, mas pior ainda quando a notícia é publicada com o crédito indevido. Foi o que aconteceu com a jornalista Claudia Yoscimoto, que teve uma matéria publicada na íntegra em um site, assinada por outro profissional. Mais que antiética, essa atitude é ilegal e pode gerar processos por danos morais.

Na época, Claudia fazia um trabalho para o então prefeito de Mogi das Cruzes (SP), Junji Abe. A jornalista acompanhou a visita do prefeito ao Japão e divulgou o fato aos órgãos de imprensa brasileiros no país e à assessoria de imprensa da prefeitura. O caso aconteceu em 2007, mas Claudia só se deu conta quando fez uma busca pelos textos para incluir em seu portifólio. “Foi a primeira vez que isso aconteceu comigo. Quando se muda alguma coisa, tudo bem, mas dar crédito para outra pessoa, isso foi antiético”.

Para o presidente da Associação Brasileira da Propriedade Intelectual dos Jornalistas Profissionais (Apijor), Frederico Ghedini, apesar das assessorias de imprensa terem suas particularidades, os profissionais que atuam nessa área podem reclamar seus direitos. “Ninguém pode colocar o nome em um texto que não foi ele quem fez. Isso pode suscitar uma ação por danos morais. É uma questão de direito autoral”, explica.

Outros problemas
A jornalista Paula Batista, sócia da Lide Multimidia, agência de comunicação com sede no Paraná, conta que o fato é comum. “Isso acontece bastante, de colocar o nome do jornalista do veículo, quando não usam o assessor como fonte, aspas na matéria. Mas não há muito o que fazer, porque geralmente ficamos sabendo muito tempo depois da publicação, e lidamos com um universo muito grande de jornalistas, alguns mais conhecidos, outros não”.

Paula considera esse tipo de situação constrangedora para explicar para o cliente e adota algumas medidas para coibir a apropriação dos textos da assessoria. “Queremos que os clientes sejam divulgados na imprensa, mas quando acontece essas coisas acabamos restringindo, evitando de pautar o veículo. Outra opção é fazer o follow-up, para inibir e permitir que o jornalista fale com o porta-voz”, afirma.

A jornalista relata um dos episódios que ela diz acontecer com frequência. “Quando fiz um trabalho para uma ONG, enviei um release. Quando fui ver, o texto havia sido publicado na íntegra em uma página inteira de um jornal”, relembra Paula, que enfatiza que fatos como esse acontecem principalmente em veículos pequenos, mas há exceções. “Isso já aconteceu na extinta Gazeta Mercantil, publicaram um release nosso, acrescentaram apenas um olho”, conta.

Para a advogada da Apijor, Dra. Silvia Neli, casos como estes são comuns. “Um dos mais recentes que me lembro foi o caso da publicação de uma foto como ‘divulgação’ na Folha. A foto foi enviada por uma assessoria. Ganhamos em primeira instância, mas a Folha está recorrendo”.
Silvia afirma que é essencial os jornalistas estarem atentos aos direitos autorais. “É importante ter essa atenção, o que não é uma prática no mercado, porque a qualquer momento uma pessoa pode requerer seu direito”, conclui.

Fonte: Comunique-se

PECs que tornam o diploma obrigatório devem ir à votação até o final do ano

Izabela Vasconcelos, de São Paulo

As Propostas de Emenda à Constituição (PEC) que restituem a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo para o exercício da profissão devem ser votadas até o final deste ano. É o que preveem o autor da PEC 386/09, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), e o relator da PEC 33/2009, senador Inácio Arruda (PCdoB – CE), projeto de autoria de Antônio Carlos Valadares (PSB-SE).

Os dois esperam que a Frente Parlamentar em defesa do diploma de jornalismo, instalada na Câmara ontem (23/09), agilize a tramitação dos projetos. “A nossa ideia é que a Frente agilize a votação. Temos viajado por todo o Brasil, em reuniões com sindicatos, para divulgar o projeto”, afirmou o deputado Paulo Pimenta, que também é jornalista.

Audiência pública no Senado
O senador Inácio Arruda, que também participa da Frente Parlamentar, anunciou que o próximo passo para a tramitação da PEC de Valadares será a realização de uma audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para discutir o projeto. A audiência será realizada na próxima quinta-feira 01/10, às 10h, no Senado.  Após as discussões, Arruda pretende pedir a urgência pela votação do projeto, com a expectativa de que a proposta seja votada até o mês de novembro pelo Senado.

Arruda afirmou que não há conflitos entre os projetos que tramitam na Casa. “Não existe conflito nenhum, até porque vamos fazer com que eles se encontrem, seja na Câmara, seja no Senado”.

O senador considera irresponsável a decisão do STF. “No caso dessa área, que é considerada o quarto poder, é um equívoco deixar com que as pessoas que têm a responsabilidade de informar e formar opinião, não tenham uma formação adequada”.

Fonte: Comunique-se

Frente Parlamentar em defesa do diploma de jornalismo é instalada na Câmara Federal

Izabela Vasconcelos, de São Paulo

A Frente Parlamentar para discutir a obrigatoriedade do diploma de jornalismo foi instalada na manhã desta quarta-feira (23/09), na Câmara de deputados. Proposta pela deputada Rebecca Garcia (PP-AM), a Frente tem apoio de 215 parlamentares, sendo que 15 adesões foram feitas hoje.

O objetivo da deputada é debater e levar à votação os Projetos de Emendas Constitucionais (PECs) do deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) e do senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE). “Nossa prioridade agora é fazer uma reunião com o presidente da CCJ para instalar uma comissão e pedir para votar a PEC do deputado Paulo Pimenta, que é a que está mais adiantada até agora. Mas há outras cinco PEC’s e projetos tramitando na Casa. A expectativa é votar essa até o final do ano”, explicou Rebecca, que já dirigiu a TV Rio Negro e o jornal O Estado do Amazonas.

O segundo passo da Frente é conversar com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), que se comprometeu a instalar a comissão para debater a PEC. Outra atividade da agenda é realizar um seminário para discutir a Lei de Imprensa.

Participaram da instalação da Frente Parlamentar, diretores e presidentes da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), além de sindicatos da categoria, parlamentares e jornalistas.

Microsoft apresenta a “nova geração de jornais”

Da Redação do Comunique-se

“A Próxima Geração de Jornais”. É dessa maneira que a Microsoft chama o projeto apresentado à Associação Americana de Jornais, com possíveis soluções para a geração de receitas pelos sites jornalísticos. De acordo com a proposta, “o futuro da mídia será relacionado com o futuro do software” e os veículos de comunicação terão que se adaptar a um novo modelo de negócios, com novas plataformas de produção e distribuição.

“As experiências em mídia digital são distribuídas por uma combinação de conteúdo, software e serviços que ajudam os usuários a descobrir e trocar informações”, diz o projeto.

Para a Microsoft, o futuro dos jornais será de coexistência entre conteúdo editorial e gerado pelos usuários, “combinando as forças dos dois”. As informações serão disponibilizadas em pacotes, como os jornais e canais de TV; ou em partes, como os serviços de RSS ou arquivos para download. “Vendas, assinaturas e anúncios publicitários continuarão sendo as principais fontes de renda”.

A proposta da empresa é um canal de informações, que agregue conteúdo de diferentes fontes de acordo com o perfil do usuário. Ele deverá ser acessível em qualquer dispositivo, tanto online como offline; e ajudar o usuário a navegar pelas informações, com links, recomendações e buscas semânticas.

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Audiência pública debate diploma de Jornalismo nesta quinta-feira

Da Redação do Comunique-se

A Câmara dos Deputados realiza, nesta quinta-feira (17/09), às 9h30, audiência pública sobre o diploma de Jornalismo. A iniciativa é das comissões de Desenvolvimento Econômico e de Legislação Participativa.

Foram convidados o ministro do Trabalho, Carlos Lupi; o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes; o ministro do STF Marco Aurélio de Mello; o procurador regional da República da 3ª Região (São Paulo) André de Carvalho Ramos; o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto; a coordenadora do curso de Comunicação Social da Universidade de Brasília (UnB), Dione Oliveira Moura; e o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, Sérgio Murillo de Andrade.

Especialistas divergem sobre restrições no uso de redes sociais por jornalistas

Izabela Vasconcelos

Da redação do Comunique-se em São Paulo

As recentes normas adotadas pela Folha de S.PauloTV Globo no uso de redes sociais por seus jornalistas causam polêmica. Na última semana, os dois veículos divulgaram, em comunicados internos, regras para o uso de blogs, Twitter, e outras redes sociais.

Folha determinou que seus profissionais sigam os princípios do projeto editorial, “evitando assumir campanhas e posicionamentos partidários”. O veículo também exige que os jornalistas não divulguem conteúdos de colunas e reportagens exclusivas, restritos a assinantes, na rede. A TV Globo também estabeleceu normas semelhantes aos seus funcionários, vedando a divulgação de informações institucionais e o uso de redes sociais vinculadas a outros veículos de comunicação sem prévia autorização da emissora.

O que é visto como um cerceamento da liberdade de expressão para uns, é visto como uma questão ética por outros. Bruno Rodrigues, especialista em mídias digitais, concorda com a medida adotada pelos veículos. “Esse comportamento faz parte do trabalho profissional. Discordo quando dizem que é uma forma de limitar a liberdade de expressão. Quando um jornalista cobre algum assunto para a Folha, por exemplo, o jornal tem total direito nesse caso. Se for um trabalho particular, uma investigação própria, aí é outra coisa”.

O professor de pós-graduação da Faculdade Cásper Líbero, pós-doutorado em comunicação e Tecnologia, Walter Teixeira Lima Júnior, acredita que o caso seja algo muito novo e analisa o ponto de vista das empresas e dos jornalistas. “Tudo o que você vai falar vai para o bem ou para o mal da empresa. A preocupação do veículo é que eles têm concorrentes. Tudo isso é muito novo, tanto jornalistas como empresas estão aprendendo como conviver”.

Apesar de enxergar as razões das empresas, Lima acredita que o jornalista também tem voz fora do veículo e o direito de expressar sua opinião fora de seu período de trabalho, mesmo de um assunto que tenha coberto. “Os veículos não podem limitar a liberdade do individuo. É como no passado, o jornalista escrevia a matéria, saía da redação e depois ia às ruas, era ativista”, conclui o jornalista, que enfatiza que o profissional também deve ter responsabilidade sobre o que fala.

Folha cria regras para jornalistas usarem Twitter e blogs

Izabela Vasconcelos, da redação do Comunique-se em São Paulo

O jornal Folha de S.Paulo anunciou em comunicado interno, que os jornalistas e colunistas do veículo devem seguir algumas regras ao usar redes sociais, como Twitter e blogs. A recomendação, assinada pela editoria executiva, é que os profissionais não assumam opiniões partidárias, sobre qualquer candidato ou campanha, e também veda a publicação de conteúdo exclusivo, acessível apenas para assinantes do jornal.

Os jornalistas que quiserem citar alguma matéria exclusiva poderão fazer referência ao material, publicando o link para o acesso do conteúdo na íntegra. “Não devem colocar na rede os conteúdos de colunas e reportagens exclusivas. Esses são reservados apenas para os leitores da Folha e assinantes do UOL. Eventualmente blogs podem fazer rápida menção para texto publicado no jornal, com remissão para a versão eletrônica daFolha”, explica o texto.

Um dos jornalistas da Folha aguardava pela decisão. “Já sabia que iriam fazer isso. Tinha muita gente abusando. Você não pode emitir opinião de uma matéria que você cobriu”, declarou.

Outro profissional do veículo também esperava esse tipo de orientação do jornal. “Esperava que adotassem uma medida nesse sentido, principalmente pelo direito autoral. A decisão não mudou em nada meu procedimento no Twitter. Eu não faço nada no Twitter que eu não faria na Folha”, revelou o jornalista, que acredita que o conteúdo exclusivo deveria ser liberado. “Seria bem mais proveitoso, mas essa é outra questão”.

Apesar de defender as orientações do jornal, o profissional afirmou que o veículo é rigoroso em relação à imagem dos jornalistas do grupo. “Excedem no rigor, tudo tem que pedir autorização, para entrevistas, palestras, enfim…”.

Encontros de Jornalismo será às quartas

A partir da próxima semana, os encontros semanais dos estudantes de integração do curso de Jornalismo serão às quartas-feira,  às 11h00, na sala 107.

Um abraço a todos e até a próxima reunião.

Antônio Martins

Coordenador do Curso de Jornalismo

Frente Parlamentar para discutir diploma será instalada na Câmara

Da redação do Comunique-se

A Frente Parlamentar em defesa da exigência do diploma de jornalismo, proposta pela deputada federal Rebecca Garcia (PP-AM), será instalada no dia 16/09, na Câmara dos Deputados. Desde junho a deputada colhe assinaturas para a aprovação da proposta, que agora conta com 210 assinaturas, mais do que as 198 exigidas.

Até a próxima terça-feira (08/09), o requerimento deverá ser entregue à Mesa Diretora da Câmara, que irá conferir as assinaturas dos 198 deputados e 12 senadores.

A proposta da Frente é discutir a PEC que pede a volta da exigência do diploma, proposta pelo senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), além de outros temas relacionados à profissão, como a lei de imprensa.

“Vamos definir uma agenda de trabalho em parceria com a sociedade civil, porque não queremos que seja algo fechado aos parlamentares”, afirmou a deputada.