Empresas pernambucanas movimentam, de forma divertida, grandes cifras de dinheiro.
Joy Street, Jynx, Manifesto, Meantime, MusiGames, Playlore – seis empresas, 30% do mercado nacional. Esse é o polo de desenvolvedores de jogos eletrônicos do Porto Digital, no Bairro do Recife. Uma ilha de excelência em games, provavelmente a maior do país. Era a segunda maior atrás de São Paulo, mas o nascimento da caçula Joy Sreet este ano deve ter feito o cluster pernambucano pular para a primeira colocação. Pelo menos essa é a expectativa desse setor que já movimenta R$ 87,5 milhões no país. No mundo, essa indústria faturou US$ 22 bilhões em 2008. Mais do que o cinema. Longe de ser apenas uma excentricidade de nerds, esse é um negócio que, de forma divertida, movimenta cifras de gente grande.

O game que você ou seu filho joga pode ter sido produzido por uma das seis empresas do Porto Digital. São cerca de 150 profisisonais produzindo jogos para computador, web, celulares e consoles, muitos deles exportados para diversos países. Exportamos jogos e também pessoas. Somente a Jynx e a Meantime já mandaram para fora 28 talentos. “Esperamos que esses desenvolvedores ganhem experiência e voltem a trabalhar no mercado nacional”, diz o diretor da Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos (Abragames), Fernando Chamis.
O executivo, que é sócio das desenvolvedoras Webcore Games e Kidguru Studios, ambas de São Paulo, reconhece a importância do polo do Porto Digital. “É de grande importância para o desenvolvimento do mercado nacional de desenvolvedores. É um polo que vem crescendo a cada dia em número de projetos tanto para o mercado nacional quanto internacional” , afirma. Segundo ele, o mercado brasileiro só não decolou ainda por causa da pirataria. “O mercado comprador de jogos originais ainda é baixo no Brasil”, lamenta. Mercado pequeno não atrai a atenção de publishers e distribuidores.
As dificuldades têm um lado positivo: obrigam as desenvolvedoras do Porto Digital a criar alternativas. Este ano ainda vamos ter novidades em todos os segmentos, dando continuidade a uma história que começa lá nos anos 2000 com a criação da disciplina Projetos e implementação de jogos pelo professor Geber Ramalho, no Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (CIn/UFPE), e chega aos dias atuais rodando em iPhones, redes sociais como Facebook e em consoles de última geração.
“Foi depois da criação dessa disciplina na UFPE, pioneira no país, que se passou a enxergar os games não apenas como diversão ou hobby, mas como um negócio. As empresas pernambucanas já estão faturando e se desenvolvendo com o apoio da universidade e do Porto Digital, criando uma ilha de excelência no Bairro do Recife. É uma área bastante promissora”, observa o diretor de Inovação e Competitividade do Porto Digital, Guilherme Calheiros.
O Porto Digital comemora uma década de existência este ano reunindo 130 organizações e gerando quatro mil empregos. Já representa 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) pernambucano. O parque é referência nacional em áreas como inteligência artificial,sistemas de segurança e de mobilidade urbana, mas a área de jogos eletrônicos vem crescendo muito. O Diario traça agora um perfil de cada uma das seis desenvolvedoras de games que, de uma forma muito competente, ajudam a projetar ainda mais o nome de Pernambuco aqui dentro e lá fora.
(Fonte: Diário de Pernambuco)