AESO - Faculdades Integradas Barros Melo

Cineastas discutem audiovisual no SJCC



Kleber Mendonça Filho, Leo Falcão e Lula Queiroga foram convidados pelo Sistema Jornal do Commercio de Comunicação para analisar o cenário local do setor Às vésperas da 17ª edição do Cine PE: Festival do Audiovisual, evento que tem início no próximo sábado, com a Mostra Pernambuco, e vai até o dia 4, com a premiação das obras vencedoras das mostras competitivas, o Sistema Jornal do Commercio de Comunicação convocou representantes do audiovisual para um debate sobre o cenário local nessa área e suas perspectivas. Participaram da discussão os cineastas Leo Falcão, Lula Queiroga e Kleber Mendonça Filho, que também é crítico de cinema deste Caderno C. O encontro ocorreu ontem de manhã, na TV Jornal. Durante uma hora os realizadores abordaram os aspectos mais relevantes do audiovisual pernambucano na chamada era da retomada analisando o perfil atual da área e opinando sobre possíveis caminhos que o setor deve trilhar daqui por diante. A preocupação para traçar um perfil deste novo audiovisual pernambucano, que parece haver superado seu histórico cíclico, e o que o faz tão eficiente frente à produção de outros Estados, permeou grande parte da conversa entre os cineastas. A principal preocupação girou em tornou da idéia de que, caso o cenário local consolide algum dia o tão sonhado mercado voltado para a área, se seria mantida a mesma qualidade artística atual. Neste ponto, é consenso entre os autores que a tecnologia e o incentivo tanto da iniciativa privada quanto da pública são importantes aliados na luta pela preservação da excelência de qualidade. “A beleza é que não há organização. Há produções que existem espontaneamente”, considerou Mendonça Filho. “Não existe uma associação oficial, não existe uma ABD (Associação Brasileira de Documentaristas, que possui uma secção no Estado) forte. Cada um faz (o audiovisual) de um modo que acha que deve fazer.” Para o crítico, o resultado deste esforço tem sido positivo. Desde os medalhões, cineastas responsáveis por um movimento de resistência no fim dos anos 80 e início da década de 90 (quando foi extinta a Embrafilme), como Lírio Ferreira, Paulo Caldas e Cláudio Assis, que se tornaram referências, já surgiram outras duas gerações de realizadores. Mendonça Filho citou os casos recentes da dupla Fernando Jorge & Leandro Amorim, autores o curta Até o Sol raiá, representante do cada vez mais expressivo pólo de animação da Aeso (Faculdades Integradas Barros Melo), e do longa-metragem Amigos de risco, do estreante Daniel Bandeira, selecionado para o Festival de Brasília. “Acredito muito menos em um mercado e mais em um cenário artístico”, disse o crítico. Leo Falcão, contudo, mostrou-se preocupado com a sustentabilidade de um cenário que não consegue se configurar como um mercado. Para ele, mesmo autores bem-sucedidos ainda precisam deixar o Estado para assumir compromissos comerciais a fim de se sustentar. Tal inquietação remeteu a um questionamento de Lírio Ferreira na edição do Cine PE de 2006, na qual o diretor, abraçado aos seis troféus Calunga que o consagrou no festival (inclusive o de melhor filme), surpreendeu a platéia com um discurso no qual lamentava o fracasso na bilheteria de seu premiado Árido movie em contraponto ao sucesso do filme nos festivais e nas páginas dos cadernos culturais. “Para quem fazemos esses filmes?”, questionou na época. “Este é o preço que a gente paga por essa desconfiguração de mercado”, sustentou Falcão. “É uma época de transição muito cruel. A gente não tem como responder isso agora.” Para Lula Queiroga, enquanto o mercado não se consolida, é essencial que permaneçam as ações de incentivo, como o recente Edital do Audiovisual do governo do Estado, aliado a ações educativas. Segundo o autor, é importante que as pessoas vejam o audiovisual como uma profissão da qual possam sobreviver. “Para a gente, o cinema vai continuar sendo a maior diversão. E a gente vai continuar fazendo”, prometeu.

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