Democracia digital



Festival de Vídeo de Pernambuco, que começa hoje no Teatro do Parque, procura se adaptar às novas tecnologias. Em sua décima edição, o Festival de Vídeo de Pernambuco encontra-se em um momento de redefinição. Quando a mostra começou, em 1998, os trabalhos ainda eram entregues em fitas VHS. Dez anos depois, as tecnologias digitais promovem uma revolução que faz a produção local se multiplicar em vários aspectos. O evento continua o mesmo, sem grandes mudanças no formato geral, mas o contexto do setor audiovisual mudou completamente. Voltage . Foto: William Paiva/Divulgação A popularização das câmeras de vídeo digital fez muita gente começar a filmar, pois tudo ficou mais fácil, principalmente a edição, que hoje em dia pode ser feita em qualquer computador ou laptop, sem a necessidade de ilhas fechadas cobertas de equipamentos. As câmeras de filmagem também invadiram o cotidiano. Faculdades e cursos de cinema, que há dez anos praticamente não existiam em Pernambuco, também têm se multiplicado. Os selos dessas instituições aparecem em vários dos curtas selecionados este ano. Isso produz uma saframais jovem, cheia de nomes desconhecidos que podem surpreender. A democratização também é visível na programação deste ano. Um dos concorrentes na categoria de documentários foi produzido pelos índios da tribo Xucuru, que, a exemplo de outros povos indígenas, transformaram o vídeo em instrumento de luta política. A edição 2008 traz, ainda, um incremento na participação de videastas do interior, originários de cidades como Petrolina, Caruaru, Garanhuns, Arcoverde, Gravatá e Limoeiro. No caso específico da categoria de videoclipes, a mudança se deu principalmente nas formas de veiculação. Os vídeos musicais, agora, são produzidos para serem exibidos principalmente na internet, pois as redes de televisão estão cada vez mais distantes, enquanto a rede virtual se mostra um caminho aberto, prático, acessível e gratuito. Neste ano, inclusive, todos os curtas do Festival de Vídeo de Pernambuco podem ser assistidos no endereço www.nacaocultural.pe.gov.br. A não ser nos casos de exercício estético, o padrão técnico deimagem também foi elevado. Câmeras com definição visual comparável a dos filmes de película já são uma realidade gradativamente acessível. Isso amplia o alcance dos curtas, que podem chegar aos maiores festivais do mundo (quase todos já abertos às projeções digitais) sem a necessidade de maiores estruturas financeiras. O Festival de Vídeo de Pernambuco atualmente tem cinco categorias: documentário, ficção, experimental, animação e videoclipe. O vencedor de cada uma recebe um prêmio de R$ 3,5 mil. O segundo lugar ganha R$ 2,5 mil e o terceiro tem direito a R$ 1,5 mil. Os 65 trabalhos da programação foram escolhidos entre 140 inscritos (o maior número de todas as edições), avaliados por uma comissão formada por críticos de cinema, representantes de entidades e profissionais de audiovisual. As sessões ocorrem hoje, amanhã e quarta, no Teatro do Parque, com início às 17h.

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