Donos das marcas



O poder criativo é apenas um dos "dotes" dos publicitários, que devem ter a informação do mundo na ponta da língua. Gostar de ler, ter afinidade com o jornal impresso e disposição para encarar um mercado cada dia mais acirrado também compõem o leque das exigências Quando você está na rua ou até em casa e vê um M amarelo bem grande que marca vem à sua cabeça? E quando aparece a frase "viva o lado da vida" o que vem à sua cabeça? Não precisa nem dizer o nome, mas quase todos sabem as respostas. Essas lembranças não são à toa. Não só essas, mas todas as marcas foram criadas cuidadosamente para que gerassem identificação visual e sonora com as pessoas. Na maioria das vezes o responsável por esse trabalho é um publicitário. É dele que surge a idéia para a cor, textura e formato da marca, é ele também o encarregado de divulgar os produtos de uma maneira diferente e inovadora. Se seu sonho é trabalhar com tudo isso é bom se preparar. A concorrência é acirrada e o mercado exige muita informação. Para se ter uma idéia da disputa pela profissão, só no estado são pelo menos cinco instituições oferecendo o curso de publicidade e propaganda. A Universidade Católica, a Maurício de Nassau, a Barros Melo (Aeso), a do Vale do Ipojuca, em Caruaru, e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a mais concorrida. Só neste ano cada vaga está sendo desejada por pouco mais de 16 estudantes. "Apesar da UFPE não ter a melhor estrutura, em termos de laboratórios modernos e aparelhos, ela ainda é a mais procurada pelos alunos", lembra o professor de redação de rádio e TV, Dirceu Tavares. Para quem pretende tentar uma das 40 vagas em 2009 (este ano a disputa já começou) é bom ficar ligado no que vem pela frente. Dirceu avisa que é preciso atenção na parte sobre o jornal impresso. "Os estudantes precisam entrar aqui com a consciência de que o impresso é o carro-chefe da publicidade. É nele que acontece a maior parte de inserções das propagandas e é a partir dele que um profissional monta seu portfólio", avisa. Rodrigo Duguay, coordenador do curso da Católica, explica que é fundamental o estudante saber bem a diferença entre a publicidade e as outras habilitações da comunicação social, como jornalismo e relações públicas. "A diferença chave está na redação. A publicidade precisa ter um texto mais persuasivo, tem que explorar esse lado do convencimento", avisa. Duguay ainda conta que conhecimento da mídia e de mundo são requisitos básicos para um bom publicitário. "Ele tem que conhecer bem todos os cadernos de todos os jornais, todos os programas de TV, seus públicos-alvos e saber bem o que acontece ao seu redor. Tem que prestar atenção em tudo", afirma. O estudante Carlos Nigro, do 5º período da UFPE, sabe bem do que Rodrigo fala. Segundo Nigro, ele tinha uma visão mais limitada do mundo antes de entrar na faculdade. Agora, porém, conta que vê as coisas de outra forma. "Entrei no curso com a cabeça um pouco fechada para alguns aspectos culturais. O que eu não gostava, achava que não prestava. E na publicidade não é assim. Você não pode ver o mundo com preconceitos", conta. A estudante Maria Lúcia Paiva Lins é outra que está atenta às exigências da publicidade. No 6º período da Católica ela já tratou de entrar no mercado. "Faço estágio na Assembléia Legislativa. Não trabalho com criação, nem em nenhuma dessas áreas conhecidas. Lido mais com questões de marketing e gestão de pessoas", conta. Duguay avisa que boa parte dos formados no curso vai trabalhar com isso. "O marketing é um dos caminhos mais escolhidos pelos estudantes de publicidade. Principalmente porque ele fundamental na hora de criar uma marca", avisa. Mas Lúcia garante que não pretende ficar só nisso. "Também penso muito em atendimento nas agências. Que é o elo da empresa com o cliente", conclui.

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