AESO - Faculdades Integradas Barros Melo

Intervenção urbana



Em três dias de programação, o Spa das Artes já começa a modificar alguns ambientes urbanos do Recife. O viaduto da BR-101 sobre a Avenida Caxangá, por exemplo, não é mais o mesmo depois da ação de um grupo de artistas que promoveram um mutirão de grafite no local. A programação continua até domingo, com atividades de diversos formatos, em lugares espalhados pela cidade. Destaques são as exposições descentralizadas que estão em cartaz nos bairros de Casa Amarela, Torre, Imbiribeira, Espinheiro, Peixinhos e Boa Vista. Para visitá-las, o público pode pegar carona em vans que saem do Pátio de São Pedro e fazem o circuito completo, de graça, com saídas amanhã, às 9h e às 15h. Para hoje, além de performances e intervenções ao ar livre, estão marcadas uma palestra da curadora cubana Íbis Hernandez (11h, na Aeso, em Jardim Brasil) e uma mostra de vídeo na galeria Amparo 60 (19h, no Pina). E tem também debate com os artistas do circuito, às 19h no auditório do Mamam. Mais informações: 3232-2858. Centro Social Urbano da Imbiribeira (próximo à nova estação de metrô) É difícil chegar ao local, que fica por trás da nova estação de metrô da Imbiribeira, em frente a uma praça na entrada da Ilha de Deus. Nem mesmo o mapa oficial do Spa das Artes mostra sua localização exata. Mesmo assim, a exposição já atraiu mais de 150 visitantes e é importante por revelar talentos da comunidade, como o fotógrafo Manoel Nunes (Nuninho), as artesãs que trabalham com conchas e o escultor Magno, que faz luminárias com fibras vegetais. Sítio da Trindade (Estrada do Arraial, Casa Amarela) Nesta exposição, artistas plásticos dos morros de Casa Amarela e arredores mostram que merecem mais reconhecimento, pois ainda não haviam sido incorporados ao circuito artístico. Entre eles, estão Zildo Marques, com desenhos que retratam pessoas do bairro, Neilton, que é pintor e também guitarrista da banda Devotos, e Max di Castro, autor de esculturas de ferro de guerreiros pós-apocalípticos. Centro Cultural Cafundó (Rua Geraldo de Andrade, 12-B, Espinheiro) O artista plástico Jacaré é conhecido por suas esculturas de sucata. Chamado para organizar essa exposição coletiva, ele transformou uma casa inteira em mais uma de suas obras. Seus convidados são Eduardo Lima (figuras psicodélicas digitais), Serjão (grafitagem), Zé de Mandacaru (pintura), Augusto Ferrer (instalação luminosa), Leonel Barros (origamis) e Fábio Soares (um aquário visual imersivo), além do alemão Marcus Herdle, que vende lingüiça e cerveja no quintal. Como sugere o nome, o local é bastante escondido. Para chegar, é preciso seguir pela Avenida João de Barros (sentido cidade-subúrbio), entrar à direita na esquina do posto Shell e seguir até o fim da rua. Ateliê Umbral da Isabel (Rua Princesa Isabel, 99, Boa Vista) Hoje, às 20h30, Aslan Cabral faz uma performance no espaço, que reúne jovens nomes do circuito de arte contemporânea local. O experimentalismo predomina entre os trabalhos. A artista Analu, por exemplo, montou um mecanismo que capta o som de gotas que caem de um recipiente de vidro preenchido com um líquido vermelho, enquanto Moa Lago construiu um altar macabro, com caveiras e equipamentos tecnológicos obsoletos. Há espaço também para pinturas de Greg & Kelen Linck (da editoria de arte do Diario), fotos de Katalina Leão e uma instalação de Fabinho Santana, que usa pratos iluminados para mostrar o lado pornográfico de panfletos de igrejas evangélicas. Praça da Torre No lugar de dividirem um espaço fechado, os artistas mostram suas obras no meio de um campo de futebol. Há desde uma máquina de escrever azul, feita pelo coletivo Casa de Maribondo, até incríveis brinquedos de madeira, construídos pelo artista local Zequinha da Torre (a grande revelação do espaço). Resta saber se os jovens da comunidade vão conseguir passar uma semana sem jogar bola. Será que a arte é mais importante? Nascedouro de Peixinhos Os mesmo grafiteiros que participaram do mutirão no viaduto da Caxangá mostram outros trabalhos na escadaria do prédio principal do antigo matadouro. Além de quadros, eles cobrem, com figuras coloridas, objetos como uma guitarra, uma cadeira, um filtro, telhas e uma caveira. Os artistas são Zone, Cajú, Anêmico, Elaine, Galo e Evil, que também fez uma montagem com carcaças de balas cercadas de tinta vermelha.

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