Volver está preparado para conquistar o Sul



Há quatro anos, a Volver venceu a primeira edição do festival Microfonia, concorrendo com quase quatrocentas bandas (sic). “Hoje só tem duas que estão trabalhando para valer mesmo, A volver e a Vamoz! A que ainda existem tocam de vez em quando”, comenta o vocalista Bruno Souto. O grupo de repertório mais radiofônico da cena pop pernambucana, lançou o segundo disco, pelo selo Senhor F, de Brasília. Acima da chuva, o novo CD foi inicialmente disponibilizado na Internet: “Durante trinta dias, mais de 20 mil pessoas baixaram as músicas. Ele sai agora no formato físico, mas a gente sabe que disco hoje é muito mais um cartão de visitas”, continua Souto. Canções melodiosas, com a guitarra como instrumento principal, no melhor modelo british pop (com tons menores garantindo o devido toque de melancolia). Uma canção como Pra Deus implorar, que abre o repertório, seria sucesso garantido nos tempos em que o rádio mantinha paradões, e não havia aderido, com as óbvias exceções, à monocultura musical: “Não existe mais isto de rádio. Hoje quem mais participa na divulgação do trabalho das bandas de rock são os jornais”, concorda Bruno Souto. Citar apenas uma canção de Acima da chuva é até uma injustiça, a Volver tem a mesma capacidade da subestimada Renato e seus Bluecaps de criar melodias que ficam na cabeça de quem escuta o disco. Fica faltando um pouco mais de backing vocals, para melhorar a dinâmica, nos espaços entre um verso e outro, coberto na maioria das faixas pelas guitarras. No mínimo são equivocadas as comparações que se fazem da Volver com as bandas gaúchas, que gravam pop com sonoridade dos anos 60 para tirar onda. Os pernambucanos levam o estilo a sério. E é esta, aliás, a razão de estarem no selo Senhor F, dedicado ao melhor pop retrô. Com um novo guitarrista, Kléber Cróssia, o grupo prepara-se para procurar a saída mais utilizada pela grande parte dos artistas locais: a do aeroporto. “A gente não pode continuar dando murro em ponta de faca. Estamos dispostos a mudar par São Paulo até maio do ano que vem. É negócio de recomeçar mesmo. Temos que aproveitar o pique. Aqui a gente toca uma vez o outra, não tem muitos espaços paras bandas, e nem sempre entramos nas programações dos festivais. Em São Paulo se tem um mercado muito grande e rico no interior”. A banda gravou material para um DVD, em setembro, num show no Santa Isabel, mas assim como a viagem, o vídeo vai ter que esperar pelo próximo ano, diz Bruno: “A feitura do DVD é mais minuciosa, mais cara, a gente não tem pressa. A fizemos uma coisa diferente. Além da nossa própria produção, pedimos que o público também filmasse, vamos enxertar estas outras imagens”.

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