AESO - Faculdades Integradas Barros Melo




Ex-aluna cria fanzine para tratar o tema Ansiedade


Design Gráfico
julho. 27, 2018

Trabalho experimental foi desenvolvido durante a conclusão do curso de Design Gráfico

“Pequenas doses de alívio em meio ao caos momentâneo” é o título do projeto de conclusão do curso de Design Gráfico da ex-aluna Haryel Jasmine, que vem chamando atenção pelo conteúdo criativo, tema atual e técnicas experimentais. O trabalho consiste em uma fanzine motivacional, voltada para o público jovem que passa por transtornos emocionais.

A ideia de realizar o projeto surgiu a partir da vontade da autora em ajudar pessoas que sofrem de ansiedade.  Ela buscou frases, textos, músicas e filmes que passassem mensagens de caráter positivo para compor as criações. “A proposta da zine é auxiliar as pessoas em momentos difíceis, sendo um alívio em meio ao caos que elas estão sentindo”, comenta. Segundo ela, esses pequenos “detalhes” causam impactos positivos na vida das pessoas. 

O trabalho de Haryel procura explorar ao máximo o experimentalismo, utilizando diferentes tipos de impressão, papéis, cores, texturas, formatos e acabamentos. “Quanto maior a liberdade de experimentações e inovações no projeto, mais interessante ele se torna”, acredita. E os frutos que a jovem colheu com a prática fizeram tão bem que ela já planeja criar outras edições da zine e também desenvolver editoriais com temas diversos. Confira mais sobre o que a designer tem a dizer do projeto na entrevista a seguir.

AESO: Você se formou em Design Gráfico. Como conseguiu tratar o tema ansiedade de forma artística?

Haryel: Isso. Conclui o curso no final do ano passado. Bem, por trás de todo o trabalho de criação, houve uma enorme pesquisa para abordar o tema, tão delicado e importante, de maneira apropriada. Dediquei-me a usar corretamente os textos, imagens e até mesmo as cores. 

AESO: Por que escolheu este tema para fazer o trabalho?

Haryel: Eu sempre quis fazer algo que pudesse afetar positivamente a vida das pessoas. Então, decidi juntar o meu interesse pelo meio editorial independente a um tema importante, atual, e que não costuma ser tão abordado no meio editorial, nem acadêmico. Resultando, assim, em um trabalho que pudesse ajudar aos outros e a mim mesma.

AESO: Conta um pouco como foi a produção da fanzine.

Haryel: Todo o trabalho foi feito ao longo de um ano. Para ajudar no processo de planejamento e produção, eu aderi a uma metodologia. Como o projeto final seria um impresso independente, além de ler e me aprofundar sobre o design gráfico e editorial, eu tive que analisar bastante o meio editorial independente, principalmente o pernambucano. 

Em meio às pesquisas sobre fanzines e design, eu participei de algumas oficinas e workshops sobre temas afins, como encadernação, serigrafia, tipografia, etc. Fui em busca de todo tipo de procedimento que enriquecesse o meu trabalho. Afinal, eu queria que ele fosse o mais experimental possível.  Também fiz enquetes com amigos e pessoas próximas sobre ansiedade e depressão, e, a partir daí, pude escolher o conteúdo do impresso.

Depois, veio a etapa da criatividade, quando pus em prática todo o aprendizado, diagramando, escolhendo as cores, tipografia, formatos, tipos de papéis, impressão, entre outras coisas, até chegar ao resultado final.  

AESO: Qual influência você espera que o trabalho tenha na vida das pessoas?

Haryel: O meu objetivo principal é ajudar, de alguma maneira, o dia das pessoas que sofrem transtornos emocionais. Queria trazer algum alívio, mesmo que por alguns minutos. Eu sei que os problemas não vão ser resolvidos com um passe de mágica, de um dia para o outro. Mas, se o meu trabalho puder,  dar força ou até provocar um sorriso, pra mim já vai ter valido todo o esforço.  

AESO: Sua experiência pessoal estimulou de alguma forma a criação?

Haryel: Sim. Infelizmente, vivemos uma época em que, dificilmente, vamos conhecer alguém que não passe pelo “mal do século”, que é a ansiedade e outros distúrbios emocionais. Durante a faculdade, e, principalmente, no projeto de integração, conheci e convivi com muita gente que estava na mesma situação que eu, nervosa e com medo do futuro. Com certeza ter passado por isso me incentivou a produzir essa zine.  

AESO: Alguém já procurou você para comentar sobre a diferença que o seu trabalho fez na vida?  

Hayrel: Sim, e isso é muito legal. Ao longo do projeto, fiz algumas enquetes pedindo para as pessoas deixarem uma mensagem de ajuda para quem está passando por um momento difícil. Recebi bastante coisa legal, desde poemas, conselhos, músicas, e outros. Ao final, fiz um apanhado e montei uma versão reduzida da zine, com estas mensagens. De vez em quando, aparece alguém falando que abriu e leu uma mensagem que ajudou ou incentivou a algo. Eu acho isso muito bom, porque são frases reais, de pessoas reais para outras pessoas reais.

AESO: Qual a importância desse tipo de contribuição para o mercado criativo?

Haryel: Bem, como designers, aprendemos , desde sempre, que somos “solucionadores de problemas”. Acredito que nós, criativos, temos o que precisamos para criar projetos inovadores. Se cada um adicionar um pouquinho das suas habilidades em causas como essa, todos, incluindo o mercado, ganham. Então, acho muito importante que, além do trabalho cotidiano, tenhamos tempo para nos dedicarmos a algo que realmente alegre por dentro, algo que possa mudar a vida do outro.

Para conferir o trabalho na íntegra, acesse: https://bit.ly/2JMNuP6

 

design gráfico - fanzines - TCC -

voltar