AESO - Faculdades Integradas Barros Melo




Ex-aluno da AESO-Barros Melo lança exposição em São Paulo


Design Gráfico
julho. 02, 2018

Max Motta é designer e trabalha em multiplataformas artísticas

Talento é coisa de família. No caso de Max Motta, designer formado pela AESO-Barros Melo, a primeira lembrança que o artista tem da vida é rabiscando imagens de dinossauros, ao lado do irmão, que, segundo ele, “desenha muito”. E se é ele quem está dizendo isso, pode acreditar! Max também capricha no que faz.

Dominando ilustrações com lápis de cor, grafite, aerografia, telas e tatuagens, o pernambucano se prepara para a primeira exposição individual, em 10/07. Depois de algumas mostras coletivas no Recife e outras cidades, Max Motta apresenta "O Nor-destino", que faz uma conexão antropológica entre os retirantes de hoje e outrora, e o intercâmbio cultural tão marcante nessa história, na Galeria 100C, em São Paulo. E a intenção é levar as obras para outros estados, a exemplo de Minas Gerais e Pernambuco.

Antes disso, ele conta um pouco sobre a história com a arte, a novidade do ofício de tatuador e outras curiosidades. Confira:

AESO: Por que escolheu fazer faculdade de Design? 

Max Motta: Escolhi o curso de Design por conta da grade curricular. As duas cadeiras de ilustração foram as que mais me atraíram junto com as disciplinas de computação gráfica. Foi parte de algo muito maior que eu descobri depois.

AESO: Você considera importante estudar (aprimorar) os traços, mesmo já dominando bem a arte?

Max Motta: Sem dúvida. O que mais me chama atenção no desenho é o fato de você nunca saber tudo perfeitamente. Essa necessidade constante de polimento e de reinvenção é o gás de muito artista. E a foice de muitos também. Acho que nas artes visuais, de forma geral, a experiência só vem com tentativa e erro. Por isso, acredito que precisamos sempre sair da zona de conforto.

AESO: Quais são suas maiores inspirações?

Max Motta: Me inspiro muito no ser humano e na  natureza. Dentro desses tópicos, exploro mais ainda a figura feminina e infantil, e a fauna e flora. Normalmente, conto uma história nas entrelinhas da composição. É um passo a mais em direção à relação de ideias entre o artista e o expectador.

AESO: Você tem algum "ritual" de criação? Gosta de ouvir música, ler, ou é mais instintivo e espontâneo?

Max Motta: A música, apesar de não ser indispensável, influencia bastante na minha forma de criar. Ela me ajuda a entrar em sincronia com o ambiente, me faz ouvir melhor meus próprios impulsos e até a conectar com outras pessoas. Estar perto de quem cria também me desperta uma inspiração grande.  É o que chamo de flow.

AESO: Você tem algum ofício preferido? Por quê?

Max Motta: O grafite, com certeza. Dentro do universo artístico, entre todas as coisas que faço ou que conheci, somente a arte de rua me preenche e mata minha fome de expressão. Soa redundante de minha parte, mas o grafite me passa a sensação de dever cumprido, tanto civil quanto artístico. A interação das pessoas na rua, a mensagem sendo passada e claramente entendida, a facilidade de acesso e o poder de mudança que se causa no ambiente, são combustíveis pra que eu sempre me atualize e estude para honrar esse compromisso com quem, direta ou indiretamente, consome o que eu produzo. 

AESO: Dia 10 de julho, você realiza a primeira exposição solo, "O Nor-destino". Qual a sua impressão sobre esse intercâmbio cultural do nordeste com São Paulo e o restante do Brasil, especialmente o Sudeste?

Max Motta: Antes de tudo, “O Nor-destino" é um sonho que está se realizando e que coincide com a época em que completo 15 anos do primeiro trabalho na rua. Um marco importante para mim. A exposição traz uma conexão antropológica, mostrando as particularidades do povo que sai da terra Natal em busca de melhores condições de vida, mas, que leva na mala, uma vivência cultural tão forte, que não se separa. “O Nor-destino" fala também da relação entre épocas de grande retirada e os motivos que as induzem, com foco, especialmente, nesse personagem: o homem ou mulher que não tem medo de arriscar, mudar de céu e terra, e as consequências dessa bravura.

AESO: Há alguns anos você também se dedica ao ofício de tatuador. Inclusive, viaja o Brasil participando de eventos do ramo. Qual você considera o diferencial do seu trabalho?  

Max Motta: No assunto tatuagem, o que acredito ser meu diferencial é a ótica. A visão "fora da caixa" para conceber uma ideia. Isso na fotografia de uma cena, na paleta de cores usada, na relação da simetria, alinhamento e engradamento dos personagens, e objetos de uma composição. Isso, sem dúvida, é fruto das aulas com os mestres que tive durante meu tempo de faculdade. Aplicar esses conhecimentos de forma responsável no corpo não só me possibilitou algumas novas linhas no meu processo criativo, como também aumentou bastante a minha satisfação em fazer um trabalho mais harmônico e coeso.

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