AESO - Faculdades Integradas Barros Melo

Tomaz e Mateus Alves (Foto: Taís Castro).

#repercuteAESO: Produtores da trilha sonora de Bacurau conversaram sobre o processo criativo com estudantes da AESO-Barros Melo


Jornalismo
setembro. 16, 2019

Detalhes sobre a importância da música no cinema e os bastidores do longa-metragem pernambucano foram apresentados no encontro

*Por Joily de Souza e Larissa Cavalcante

Criadores da trilha sonora original do premiado filme pernambucano Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, Mateus Alves e Tomaz Alves Souza conversaram sobre as composições em encontro com os estudantes das Faculdades Integradas Barros Melo (AESO), dia 03 de setembro. Eles falaram como se dá o processo criativo por trás das músicas e sobre a função da trilha sonora em um filme. De acordo com os profissionais, é ela que envolve as pessoas e cria o clima para as cenas. 

Durante a palestra, os compositores explicaram que a trilha sonora compreende todos os elementos de som de um audiovisual e é importante para criar a espacialidade da obra, bem como os núcleos emocionais da narrativa. Algumas vezes, é algo tão natural no enredo que o espectador nem percebe a presença dela. “Um som meio robótico demonstra cenas de estranhamento e uma diferença de graves costuma dar ideia de mistério, suspense ou até mesmo luto”, explicou Mateus Alves.

No caso da trilha sonora de Bacurau, a inspiração foi o próprio filme, que já tem muita força mesmo sem música, na opinião de Mateus. Isso facilitou o trabalho, já que “a melhor forma de fazer uma música é baseado na emoção que o personagem passa, criar o que se sente assistindo a cena”, contou. 

Irmão e parceiro de trabalho, Tomaz Alves concordou com o ponto de vista. “Quando o filme já é uma obra muito pensada desde o roteiro, personagens, atores, aí é fácil se inspirar, porque você só está adicionando suas ideias em algo que já está no fim”, completou .

Tomaz ainda destacou que esta produção permitiu que ele experimentasse estilos que não tinha utilizado ainda. “Sempre que eu faço uma trilha nova, testo, experimento o que não fiz na anterior. Então é sempre um trabalho que se soma”, relatou. Além da trilha de Bacurau, Tomaz produziu Verônica (2012) e Azougue Nazaré (2018), enquanto Mateus Alves tem no currículo produções como Brasil S/A (2014) e Aquarius (2017).

SUCESSO - Bacurau é um filme brasileiro, dirigido por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, e ganhou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes. Vem sendo aclamado pela crítica nacional e internacional. Teve estreia no Brasil no dia 29 de agosto e superou a casa dos R$ 2 milhões na primeira semana. O enredo fala de uma cidade localizada no sertão que, misteriosamente, sumiu do mapa e aos poucos coisas estranhas acontecem no município.

Para o coordenador do curso de produção fonográfica da instituição, Ricardo Maia, responsável por trazer os profissionais para o debate, a experiência foi muito rica. “Foi uma excelente oportunidade para alunos e professores terem contato com realizadores locais que estão produzindo obras audiovisuais com reconhecimento de crítica e de público”, pontuou.

*Texto colaborativo do Laboratório de Jornalismo da FIBAM.

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